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Mulher que matou o marido e escondeu o corpo no freezer é condenada a 20 anos de prisão

Cláudia Hoeckler foi condenada a 20 anos de prisão por matar o marido e ocultar o corpo em um freezer em Lacerdópolis, Meio-Oeste catarinense

O julgamento de Cláudia Tavares Hoeckler, acusada de matar o marido e ocultar o corpo em um freezer em Lacerdópolis, terminou na noite de sexta-feira, 29, após dois dias de sessão no plenário da Câmara de Vereadores de Capinzal, no Meio-Oeste catarinense.

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Cláudia foi condenada a 20 anos e 24 dias de reclusão em regime inicial fechado, por homicídio duplamente qualificado (asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima), ocultação de cadáver e falsidade ideológica.

Cláudia detalhou como matou e escondeu o corpo no freezer

A sessão foi interrompida na noite de quinta-feira, após Cláudia passar mal durante o interrogatório. Ela precisou de atendimento do Corpo de Bombeiros Militar. O julgamento foi retomado ao longo da manhã da sexta-feira,.

Durante a fala, a ré reconstituindo fatos que, segundo ela, antecederam o crime.  Ela relatou que, nos 10 a 15 dias anteriores ao assassinato, viveu episódios de agressões verbais e físicas, além de ameaças de morte por parte do marido.

Cláudia contou que, após participar de uma confraternização do Dia do Professor, Valdemir reagiu com ciúmes e a seguiu até uma pizzaria, onde, segundo Cláudia, a vigiou à distância. Ao retornarem para casa, após uma discussão, ele teria lhe dado um tapa, o que resultou em um pequeno acidente de carro.

Nos dias seguintes, ainda conforme seu relato, as brigas continuaram. A acusada relatou que custeava sozinha despesas como gasolina e alimentação da família, enquanto o marido a obrigava a prestar contas de todos os gastos.

Um dos momentos mais tensos narrados pela ré envolveu a tentativa de viajar com colegas e filhos para uma pousada. Cláudia disse que, ao pedir autorização, foi novamente proibida pelo marido e agredida com tapas, chutes e empurrões contra móveis.

Durante a briga, segundo ela, Valdemir afirmou: “Se você for, eu mato você. Quer ir? Vai. Mas quando voltar eu mato você”. Cláudia declarou que já havia ouvido ameaças semelhantes em outras ocasiões, mas que elas se intensificaram nos últimos dias antes do crime.

Rotina de controle e isolamento

Cláudia também descreveu uma rotina doméstica rígida, em que se responsabilizava por preparar todas as refeições frescas e organizar roupas para o marido diariamente. Ela afirmou que, após um ano e meio de terapia, passou a compreender que a relação era marcada por abusos e controle.

A acusada ainda disse que se sentiu mais vulnerável após a morte do sogro, a quem considerava um protetor dentro da família e que, segundo ela, defendia seu trabalho e a repreendia das agressões sofridas.

Planejamento do crime

Cláudia declarou que tomou a decisão de matar o marido por acreditar que não sobreviveria mais dias naquela situação. De acordo com seu relato, ela substituiu o conteúdo de cápsulas de remédio natural que o marido tomava por comprimidos de zolpidem, um medicamento de efeito sonífero.

Após ele adormecer, amarrou pés e mãos com corda, colocou um pano sobre o rosto dele e em seguida uma sacola plástica. Afirmou ter repetido gestos que, segundo ela, eram praticados pelo marido contra ela durante agressões: “Eu fiz o que ele fazia comigo, segurei o rosto dele, ele se debateu, mas não conseguiu me pegar”, disse.

Execução e choque

No depoimento, a ré relatou que utilizou cerca de 20 mg de zolpidem e que Valdemir não reagiu de forma efetiva devido ao efeito do remédio. Após constatar que ele não respirava mais, afirmou ter ficado sentada no chão, ao lado da cama, sem saber como agir.

Segundo Cláudia, o crime foi rápido e ela chegou a pensar que o marido tivesse sofrido um infarto. “Achei que uma mulher como eu não conseguiria matar um homem daquele tamanho”, declarou para a juíza.

A decisão de esconder o corpo no freezer

Segundo Cláudia, sua intenção inicial era conversar com a filha, esconder o corpo e depois se entregar à Polícia Militar. Hoje, no entanto, avalia que poderia ter deixado o marido na cama.

“Teria sido mais fácil se eu tivesse deixado ele lá. Eu não sei por que coloquei corpo no freezer, até hoje me pergunto o porquê”, afirmou.

Ela relatou que tentou encontrar o pulso de Valdemir, mas não conseguia confirmar a morte. Negou que tivesse intenção de esconder o corpo para sempre ou de fugir.

Cláudia contou que retirou o corpo da cama com a ajuda de um lençol, cuidando para que a cabeça não batesse, e tentou colocá-lo no freezer sem sucesso. Após diversas tentativas, usou uma cadeira para impulsioná-lo até conseguir acomodá-lo dentro do equipamento.

“Não sou fria e calculista. Eu joguei o corpo e o lençol de forma rápida e fechei o freezer. Naquele momento parecia um pesadelo”, disse.

Consequências para a filha

No interrogatório, a Cláudia afirmou que o propósito de amarrar o marido era evitar que ele pudesse atacá-la novamente. Ela também falou sobre o impacto do crime na vida da filha, que, segundo ela, estava há cinco anos sem falar com o pai, mas ainda o amava.

“Eu sei que tirei dela a possibilidade de perdoar e ser perdoada pelo pai. Essa é uma dor que jamais vou conseguir apagar”, declarou.

Ao final da fala, Cláudia chorava muito e destacou que a filha faz terapia e, mesmo sabendo do crime, acabou perdoando a mãe.

Testemunhas

Foram ouvidas 12 testemunhas, seis indicadas pela acusação e seis pela defesa. Primeiro falaram as testemunhas de acusação, depois as de defesa. Os jurados puderam encaminhar perguntas por meio da juíza presidente.

Interrogatório da ré

Após a fase de testemunhas, a ré, que matou o marido e escondeu corpo no freezer, foi interrogada. A juíza conduziu as perguntas iniciais e, depois, abriu espaço para questionamentos da acusação e da defesa.

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Os jurados também puderam formular perguntas, mas sempre mediadas pela magistrada. A ré, no entanto, tem o direito constitucional de permanecer em silêncio.

Debates entre acusação e defesa

Concluídos os depoimentos, iniciou-se o debate entre Ministério Público e defesa. Cada parte teve uma 1h30min para expor suas teses, sempre começando pela acusação. Caso houvesse réplica e tréplica, cada lado teria mais 1 hora para se manifestar.

Votação dos jurados

Depois dos debates, a juíza apresentou os quesitos que seriam votados. Os jurados se reuniram em uma sala reservada, onde votam de forma secreta. O resultado foi definido pela maioria.

Sentença da mulher que matou marido e colocou corpo no freezer

Com o resultado da votação, a juíza elaborou a sentença e retornou ao plenário para anunciar a decisão final. A sessão contou com intervalos para almoço, lanche e jantar, caso se estendesse até a noite.

Atuação do Ministério Público

Todas as teses do Ministério Público de Santa Catarina foram acolhidas pelos jurados.

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Os Promotores de Justiça Rafael Baltazar Gomes dos Santos e Diego Bertoldi conduziram a acusação, desmontando a tese de que a vítima cometeu o crime porque sofreria violência doméstica.

Com informações: MP, NDMais e TJSC

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