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Sebrae/SC apacita técnicos para uso do Sistema de Inventário de Gases de Efeito Estufa Rural

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Encontro realizado na Amarp, em Videira, apresentou ferramenta que permite fazer diagnósticos

O Sebrae/SC realizou, na última semana, na sede da Associação dos Municípios do Alto Vale do Rio do Peixe (Amarp), em Videira, uma capacitação sobre o Sistema de Inventário de Gases de Efeito Estufa Rural. A atividade reuniu técnicos dos municípios associados à entidade e integra a etapa de implantação dos diagnósticos junto aos fornecedores de matérias-primas para pequenos negócios agroindustriais atendidos pelo Projeto de Fortalecimento da Agroindustrialização.

A capacitação teve como objetivo preparar os profissionais para utilização da plataforma desenvolvida pelo Sebrae, possibilitando a aplicação do sistema de inventário em propriedades rurais e pequenas agroindústrias. A ferramenta permite levantar informações relacionadas às emissões de gases de efeito estufa e também identificar a capacidade de sequestro e armazenamento de carbono existente nas propriedades.

A apresentação foi conduzida pelo consultor do Sebrae/SC Leonardo Batistel. Segundo ele, o trabalho possibilita construir um diagnóstico abrangente das atividades produtivas e das práticas de manejo adotadas. “A gente realiza um diagnóstico de todas as emissões e também um diagnóstico referente ao sequestro de carbono que essas propriedades estão promovendo. Ou seja, temos todo um viés relacionado à sustentabilidade”, explica.

A partir das informações levantadas, é possível avaliar o desempenho ambiental da propriedade e identificar possibilidades de melhoria. O diagnóstico considera diferentes sistemas produtivos e práticas de manejo, permitindo reconhecer eventuais gargalos e apontar medidas que contribuam para reduzir emissões e ampliar a eficiência das atividades.

“Podemos verificar se existem alguns gargalos e, a partir deles, propor ações de mitigação para o produtor rural, aumentando a eficiência produtiva, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa e também promovendo um aumento da capacidade de sequestro de carbono a partir do aprimoramento do manejo empregado na propriedade”, detalha Batistel.

Além do diagnóstico ambiental, a ferramenta busca transformar as informações obtidas em oportunidades de valorização da produção. De acordo com Batistel, propriedades que apresentam equilíbrio entre suas emissões e a capacidade de remoção ou compensação de carbono podem fortalecer seus atributos relacionados à sustentabilidade.

“O intuito final é apresentar o produto como proveniente de uma propriedade rural descarbonizada, de uma propriedade considerada net zero, agregando valor e proporcionando retorno ao produtor rural”, afirma o consultor.

A gerente regional Centro-Norte do Sebrae/SC, Aglaes Beatriz Meirelles da Silva, destaca que a iniciativa aproxima sustentabilidade e gestão dos pequenos negócios rurais e agroindustriais. “Quando conseguimos transformar informações ambientais em indicadores que auxiliam o produtor na tomada de decisão, abrimos novas possibilidades para melhorar processos, aumentar a eficiência e agregar valor aos produtos. O produtor passa a conhecer com mais profundidade o desempenho da propriedade e pode identificar caminhos para produzir de forma cada vez mais eficiente e sustentável”, ressalta.

Para Aglaes, a capacitação dos técnicos municipais também amplia a capacidade de levar a solução aos empreendimentos do território. “Estamos preparando profissionais que estão próximos dos produtores e conhecem a realidade dos municípios. Essa articulação com a AMARP permite ampliar o alcance da ferramenta e apoiar propriedades rurais e pequenas agroindústrias na identificação de oportunidades de melhoria, especialmente em um momento em que os critérios ambientais estão cada vez mais presentes nas relações de mercado”, acrescenta.

Solução desenvolvida em Santa Catarina ganhou alcance nacional

Durante a capacitação, Leonardo Batistel também destacou que a solução teve origem em Santa Catarina e posteriormente foi ampliada para utilização em outras regiões brasileiras. Segundo o consultor, o desenvolvimento considerou diferentes características dos sistemas produtivos para possibilitar sua aplicação em distintas realidades. “A solução surgiu aqui em Santa Catarina e foi difundida em todo o território nacional. Inclusive, o Sistema de Inventário de Gases de Efeito Estufa Rural foi lançado na COP30, no final do ano passado, como uma solução para aplicação em propriedades em nível nacional”, relata.

Batistel observa que os trabalhos já desenvolvidos em Santa Catarina têm evidenciado, além da capacidade produtiva do meio rural, práticas relacionadas à conservação ambiental. Áreas de vegetação nativa e técnicas adequadas de manejo do solo, por exemplo, podem contribuir para o armazenamento e o sequestro de carbono. “A gente percebe a capacidade produtiva de alimentos e o grande potencial da produção primária de Santa Catarina, mas também temos esse outro viés relacionado à sustentabilidade, com preservação ambiental, áreas de vegetação nativa e técnicas de manejo do solo. Todo esse sistema de conservação promove sequestro e armazenamento de carbono, e precisamos mostrar isso”, afirma.

O Sistema de Inventário de Gases de Efeito Estufa Rural pode ser aplicado a diferentes atividades produtivas, incluindo propriedades ligadas à produção de suínos, aves e bovinos, entre outras. Com o diagnóstico, os produtores podem conhecer de maneira mais detalhada as fontes de emissão, as práticas que contribuem para a retenção de carbono e as possibilidades de aprimoramento dos sistemas produtivos. Produtores rurais, agroindústrias e demais interessados em conhecer a solução podem buscar informações junto ao Sebrae/SC.

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