Morador registrou a passagem do tornado em Giruá; tornado atingiu outros municípios
Um tornado no Noroeste do Rio Grande do Sul deixou pessoas feridas, danos “severos” em residências e “inúmeras” árvores tombadas na noite desta terça-feira. A prefeitura de Giruá afirmou que as comunidades de Rincão dos Coimbras, Rincão dos Mellos, Rincão dos Ribeiros, Amaral e Melgarejo estão entre as mais atingidas pelo “forte evento climático adverso”. Imagens que circulam nas redes sociais mostram a formação do fenômeno, que também passou pelos municípios de Sete de Setembro e Senador Salgado Filho.
Ainda segundo o poder municipal, equipes do Corpo de Bombeiros, da Secretaria Municipal de Saúde, com ambulâncias, e da Defesa Civil Municipal foram acionadas para prestar atendimento e assistência às vítimas nas áreas afetadas. Também foram mobilizados a Secretaria de Obras, servidores municipais e a frota de máquinas pesadas para desobstruir estradas e remover árvores caídas, de maneira a restabelecer o acesso às comunidades do interior.
“As informações preliminares indicam que residências sofreram danos severos resultando em pessoas feridas, houve queda de inúmeras árvores e também foram registrados prejuízos envolvendo animais”, diz a nota da prefeitura, que compartilhou no Instagram uma notícia citando três feridos. Não há detalhes sobre o estado de saúde das vítimas.
Segundo o meteorologista Luiz F. Nachtigall, do MetSul, o evento climático foi gerado a partir de uma “supercélula de tempestade” — as tempestades mais violentas da atmosfera e que concentram as condições mais favoráveis para a formação de tornado destrutivo. O fenômeno se deu “sob uma condição de instabilidade enorme na região”, destacou o especialista.
Considerada um tipo intenso de tempestade, a supercélula se caracteriza pela presença de uma corrente ascendente em rotação, o “mesociclone”, e pode persistir por várias horas, por grandes distâncias. Em geral, pode causar chuva torrencial, granizo, atividade elétrica e rajadas de vento com potencial destruidor.
Para ser formada, a supercélula depende de uma combinação entre atmosfera muito instável, disponibilidade grande de umidade e forte “cisalhamento do vento” — isto é, mudança de velocidade e direção de ventos com a altitude. A corrente ascendente, assim, ganha rotação, e a tempestade se intensifica.
Nachtigall destacou, em texto no portal do MetSul, que as supercélulas são consideradas “as tempestades com maior potencial para produzir fenômenos extremos”. Nem toda supercélula gera um tornado (turbilhão em contato com o solo), mas a maioria dos fenômenos mais intensos desse tipo nasce dessa estrutura.
Risco de novos tornados no RS e SC não estão descartados. Em SC, os riscos maiores são para as regiões Oeste e Sul.
Com informações: O Globo