Projeto deseja ainda, movimentar R$ 80 milhões
Em audiência pública da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), realizada no último dia 27 de julho no Instituto de Engenharia do Paraná, em Curitiba, foi apresentado o projeto Caminho Rio do Peixe. A proposta, debatida durante as discussões sobre a nova licitação da malha ferroviária sul, foi exposta pelo ex-vereador curitibano Jorge Bernardi. O objetivo do projeto é dar uma destinação turística e de lazer aos 372 km da antiga ferrovia que liga União da Vitória a Marcelino Ramos, onde ocorreu a Guerra do Contestado.
Bernardi falou em nome do presidente do Instituto Caminho Rio do Peixe (ICARP), o engenheiro Sady Zago. Ele foi muito aplaudido ao mostrar a proposta de um corredor de caminhada e cicloturismo que deve movimentar mais de R$ 80 milhões por ano, atraindo cerca de 200 mil turistas para a região.
“Quero agradecer a oportunidade de representar o nosso instituto, uma vez que nasci e me criei às margens da ferrovia e do Rio do Peixe. Meu avô materno foi ferroviário, turmeiro, e meu pai e meus tios foram telegrafistas e agentes de estação. Lamentavelmente, a antiga ferrovia São Paulo-Rio Grande está desativada há 30 anos no trecho catarinense. Quero parabenizar o arquiteto Arthur Brandalize, idealizador do Caminho Rio do Peixe, e a diretoria do Instituto, na pessoa do engenheiro Sady, que entendeu que estamos no momento crucial para colocarmos o projeto em execução”, salientou Jorge Bernardi.


A audiência pública foi muito prestigiada e contou com a presença do prefeito de Curitiba, além da participação de senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos, vereadores e lideranças empresariais, sindicais e da sociedade civil dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Também estão previstas audiências públicas da ANTT em Porto Alegre e Florianópolis para debater o novo edital de licitação da malha ferroviária sul.
Ao defender o Projeto Caminho Rio do Peixe, Bernardi resumiu quatro tópicos fundamentais propostos pelo ICARP para o momento: a) Que as minutas de edital e contrato esclareçam o destino dos trechos remanescentes fora do escopo dos três corredores licitados, com destaque para o ramal Porto União–Marcelino Ramos; b) Que se formalize a desativação definitiva desse trecho para fins de carga; c) Que se preveja um instrumento de cessão de uso gratuita ao Estado ou aos municípios, coligados a entidades como o ICARP, para a manutenção da unidade de um corredor de caminhada e cicloturismo; d) Que se proiba, antes dessa definição, qualquer sucateamento ou descaracterização das estruturas históricas do trecho.