O pai é um caçadorense de 77 anos; ambos compartilham amor e dedicação pelo Corpo de Bombeiros
Luiz Antônio Cardoso e Christiano Cardoso são uma dupla de pai e filho conhecida por gerações no Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC). Ambos coronéis, os dois compartilharam momentos importantes durante a jornada como “irmãs de farda” em Santa Catarina.
Segundo Christiano Cardoso, de 47 anos, o pai Luiz, de 77, sempre foi uma inspiração. Natural de Caçador, no Meio-Oeste catarinense, Luiz ingressou no Corpo de Bombeiros em janeiro de 1973, quando a unidade ainda era da Polícia Militar.
Luiz conta que permaneceu no posto por 20 anos, até ser transferido para outra unidade da Polícia Militar. Segundo ele, diversos momentos marcaram sua carreira, mas atender o acidente do Voo 303 da Transbrasil, em 1980, foi o momento mais marcante da sua trajetória. O acidente foi maior desastre aéreo da história do estado de Santa Catarina.
“Tinha 50 passageiros e oito tripulantes. Cinco pessoas foram resgatadas com vida, uma morreu antes de ser removida pelo helicóptero e uma médica faleceu em um hospital no Rio de Janeiro” disse Luiz.

Anos depois, Luiz se tornou coronel do Corpo de Bombeiros, o posto mais alto da hierarquia de oficiais superiores na corporação militar estadual. Para Christiano, filho de Luiz, o pai sempre foi uma inspiração.
“Ele sempre foi meu maior ídolo e meu herói. Eu sempre estava com ele no quartel e interagia com os bombeiros. Ele sempre me incentivava e me dava presentes com bombeiros. Quando a gente é criança, a gente não tem a real dimensão das coisas, só quando vamos crescendo. Depois que cresci, consegui entender o que ele passava e passei a admirar ele ainda mais” disse Christiano.
“Lembro que em 1995 aconteceram aquelas enchentes em Santa Catarina e meu pai trabalhava na Defesa Civil. Eu sempre via ele saindo para trabalhar naqueles dias e eu pedi para ajudar. Foi a primeira vez que acompanhei uma parte do trabalho dele e aquilo me fez ver a importância do que ele fazia. Vi ele com outros olhos, não mais de uma criança, mas sim de admiração pelo que ele estava fazendo naquele momento” contou.
Após anos de admiração pelo pai, Cristiano decidiu que também seguiria carreira militar, mas na época, decidiu ir para a polícia.
“Na minha primeira aula inaugural, quando entrei para a academia da Polícia Militar, meu pai estava no auditório. Depois da minha aula, meu pai foi para a Reserva e deixou de ser militar. Depois de um tempo, ele me contou que aquele dia foi simbólico porque ele sentiu que estava “passando o bastão” para mim” relembrou Christiano emocionado.
Pai e filho viraram “irmãos de farda”
Após um almoço repleto de conversas entre pai e filho, Christiano decidiu seguir os conselhos do pai e entrar para os bombeiros, depois que a instituição já havia se tornado independente da Polícia Militar.
“Eu lembro que quando eu fui para os bombeiros, eu reencontrei diversas pessoas que me conheciam quando eu era criança, que me viram pequeno entrando nos caminhões e correndo pelo quartel. Eles trabalhavam com meu pai e hoje eu trabalho com eles e com os filhos dessas pessoas” contou.
“Eu via meu pai como meu maior ídolo. Me inspirei nele e no profissional que eu acompanhei. Não me arrependo de ter ido para os bombeiros. Tenho muitos amigos da polícia Militar, mas a opção de seguir nos bombeiros foi uma ótima escolha que tive após um bom conselho do meu pai. Ele disse que eu não me arrependeria e eu não me arrependo” afirmou.
Outro momento marcante para Christiano foi durante a sua formatura na Polícia Militar, quando ele recebeu a espada de formatura do pai como símbolo tradicional de conclusão de curso.
Meu pai que me entregou a espada, que era dele. Foi simbólico porque a espada foi dele durante toda a carreira militar que ele seguiu. Hoje, eu sou o coronel Cardoso, mas antes eu era conhecido por ser o filho do Coronel Cardoso, já que temos o mesmo nome. Agora, eu olho para trás e vejo que tudo que ele representava para mim na época se confirma pelo exemplo e pela dedicação que ele teve.
Fonte: NSC
