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Nem sempre o esforço vence

Léia

Explicar isso aos nossos filhos pode fazer a diferença

Confesso que uma das conversas mais difíceis que tive com meus filhos nos últimos dias não foi sobre política, dinheiro ou redes sociais. Foi sobre futebol.

Depois da derrota do Brasil para a Noruega, eles me perguntaram como um time que treinou tanto, que abriu mão da família, do descanso e de tantas coisas, simplesmente perdeu.

É uma pergunta cruel. Principalmente porque, desde pequenos, ensinamos às crianças que basta se esforçar.

Respirei fundo antes de responder.

Expliquei que o esforço é indispensável, mas ele, sozinho, não garante vitória. Nós não somos premiados pelo quanto nos dedicamos. Somos avaliados pelo resultado que entregamos.

É duro dizer isso. Mais duro ainda aceitar.

O treino transforma pessoas comuns em pessoas melhores. A disciplina constrói caráter. A persistência faz muita gente chegar onde jamais imaginou. Mas existe um momento em que o placar não mede quantas horas você treinou. Mede quantos gols fez.

Essa foi a primeira lição.

A segunda talvez seja ainda mais importante.

Precisamos aprender a nos conhecer.

Vivemos repetindo que qualquer pessoa pode ser tudo o que quiser. Eu entendo a intenção dessa frase. Ela incentiva, motiva e faz sonhar. Mas, como mãe, também aprendi que existem sonhos que florescem com mais facilidade porque encontram um talento natural.

Há crianças que pegam numa bola e parecem nascer sabendo o que fazer. Outras ouvem uma música e decoram uma coreografia na primeira tentativa. Algumas têm facilidade para matemática. Outras encantam escrevendo, desenhando ou falando em público.

Isso não significa que quem nasceu com mais facilidade não precise trabalhar. Muito pelo contrário. Talento sem dedicação também desperdiça oportunidades.

Mas significa que talvez gastemos tempo demais tentando transformar nossos filhos naquilo que eles nunca desejaram ou nunca tiveram vocação para ser, enquanto ignoramos justamente aquilo em que poderiam brilhar.

Como mãe, também preciso engolir meu orgulho algumas vezes.

Sempre haverá um coleguinha que joga melhor futebol. Uma amiga que aprende mais rápido. Um aluno que tira notas maiores. E tudo bem.

Nosso papel não é convencer nossos filhos de que eles serão os melhores em tudo. É ajudá-los a descobrir onde podem entregar o melhor de si.

Incentivar o esforço continua sendo obrigação dos pais. Mas corrigir a rota também é.

Porque insistir no caminho errado pode ensinar perseverança, mas também pode colecionar frustrações desnecessárias.

Talvez o maior presente que possamos dar aos nossos filhos não seja dizer que eles conseguem tudo.

Seja ajudá-los a encontrar aquilo em que conseguem ser extraordinários.

E, quando isso acontece, esforço e talento deixam de competir.

Passam a jogar no mesmo time.

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