Espaço de lazer e convivência para a população, é também espaço de preservação da memória caçadorense
Um dos nomes que contribuíram para a expansão da indústria madeireira de Caçador, o empresário João Antônio Grando, assim como todos os trabalhadores que contribuem diariamente para o setor, recebem uma homenagem nesta terça-feira, 9.
Localizado na Rua Onio Pedrassani, no trecho três do Parque Linear, a entrega do Largo João Antônio Grando, projetado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Caçador (Ippuc), cria mais um espaço de lazer e convivência para a população. Além disso, se torna um espaço de preservação da memória caçadorense.
A revitalização do espaço, que já existia legalmente, é resultado de uma parceria entre a administração pública, a iniciativa privada e a família Grando.


Pelo programa Adote um Bem, a família adotou o espaço e restaurou a máquina a vapor automotiva, que originalmente operava na serraria da família, para ficar em exposição permanente no largo. Durante a ExpoCaçador 2026, essa peça foi apresentada ao público já restaurada.
Segundo o prefeito Alencar Mendes, cada elemento ajuda a contar uma parte da história de Caçador: a madeira, a araucária, a ferrovia e a indústria.
“Cada intervenção como essa resgata a história da comunidade caçadorense. Descobrimos novas possibilidades a partir desses momentos. E valorizamos o trabalho, origem, memória e futuro de um dos setores mais pujantes da cidade”, declara.
O projeto também contou com a participação da Frameport e do Sindicato da Madeira, contribuindo para a construção dos pergolados e elementos que remetem diretamente à indústria madeireira.
Já a família Salamoni foi responsável pela doação da araucária que integra este espaço, uma árvore que representa a paisagem do Contestado e uma parte fundamental da identidade de Caçador.
Durante a entrega, ainda se apresentaram os professores da Secretaria Municipal de Cultura, Mauro Sergio França, Rafael Pires de Moraes e Jhonathan Mateus Piran.
Parque Linear
O Parque Linear é um grande projeto de mobilidade, que conecta a cidade e transforma antigas linhas férreas em corredores urbanos integrados. Além de facilitar o acesso a diferentes regiões da cidade, promove a revitalização ambiental e resgate histórico desses espaços.
Ao longo de sua extensão, outros monumentos também integram um conjunto urbano de monumentos e memorabilia relacionados à identidade caçadorense. O monumento das capivaras, localizado em frente ao, é inspirado nos animais que ainda ocupam as margens dos rios de Caçador.


Já o largo Vale das Araucárias Vanio Czerniak presta homenagem à espécie-símbolo da região e à história de uma família que ajudou a disseminar suas sementes, com esculturas de uma mão segurando uma pinha e bancos em formato de pinhões.
No trecho cinco do Parque Linear, próximo à ponte do Berger, outro monumento simboliza sustentabilidade, esperança e cuidado com o futuro. No centro da escultura nomeada “Mãos que Cuidam, Raízes que Trazem Esperança”, cresce uma muda de Pau-Brasil.
João Antônio Grando
O homenageado João Antônio Grando nasceu em 15 de março de 1905, no Rio Grande do Sul. Filho de uma família de imigrantes, desde cedo conheceu o valor do trabalho. Depois de casado, buscou novos caminhos para construir uma vida melhor para sua família.
Em 1940, veio conhecer Caçador, a convite de Antônio Castelli, para juntos estabelecerem uma serraria. Foi aqui que João Grando encontrou o lugar que passaria a chamar de casa. Sua família chegou no ano seguinte, pela estrada de ferro. Pouco depois, ele começou a construir sua residência na Rua Riachuelo, onde viveu por aproximadamente 40 anos.
Ele buscou, em Ponta Grossa, no Paraná, uma máquina a vapor automotora, que foi a primeira em sua serraria e agora está em permanentemente exposição no largo.
