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Dia dos Pais de quem realmente exerce a paternidade

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Quem é, de verdade, o pai que estamos celebrando?

Chega o Dia dos Pais e, junto com ele, as propagandas, os presentes, os almoços em família e aquela imagem quase perfeita do pai sorridente ao lado dos filhos. Mas, entre uma vitrine e outra, talvez seja importante fazer uma pergunta que nem sempre cabe nos comerciais: quem é, de verdade, o pai que estamos celebrando?

Porque existem muitos tipos de famílias. Há pais presentes, que acompanham a escola, sabem o nome dos amigos dos filhos, participam das consultas, das reuniões, das tarefas e também das preocupações. Pais que não precisam ser lembrados de que cuidar também é responsabilidade deles. Que entendem que trocar uma fralda, preparar uma refeição, levar o filho ao médico ou simplesmente estar disponível não é “ajudar a mãe”. É ser pai.

Mas também existem muitas mães que, além de serem mães, precisam fazer sozinhas o trabalho que deveria ser dividido. São elas que acordam de madrugada, pagam as contas, acompanham a escola, resolvem os problemas, cuidam da saúde, dão colo, colocam limites e ainda precisam explicar por que estão cansadas. Algumas ouvirão um “Feliz Dia dos Pais” em tom de brincadeira. Talvez não seja tão engraçado assim. Porque há mulheres que não queriam ocupar esse lugar, mas precisaram ocupá-lo porque alguém decidiu não ocupar o seu.

E existem os avôs. Ah, os avôs! Aqueles que chegaram para ser avôs e acabaram sendo pais novamente. Que criam, educam, sustentam, levam para a escola, fazem comida, dão bronca e, principalmente, dão amor. Em algumas famílias, o avô é muito mais pai do que avô. E há também padrastos, tios, irmãos mais velhos e tantos outros homens que assumem, por amor, uma responsabilidade que biologicamente talvez não fosse deles, mas que escolheram carregar.

No fim das contas, talvez o Dia dos Pais devesse ser menos sobre genética e mais sobre presença. Porque colocar um filho no mundo pode ser um ato biológico. Ser pai é uma escolha diária. É aparecer quando é difícil, permanecer quando seria mais fácil ir embora e entender que criança não precisa apenas de alguém que diga “eu sou seu pai”, mas de alguém que demonstre isso nas pequenas coisas.

E talvez essa seja uma boa reflexão também para as mães. Não precisamos romantizar a mulher que dá conta de tudo. Mãe não deveria precisar ser mãe, pai, provedora, motorista, professora, enfermeira e administradora da casa ao mesmo tempo para provar que é forte. Dividir responsabilidades não diminui ninguém. Pelo contrário: torna a família mais saudável e a infância mais leve.

Neste Dia dos Pais, portanto, que os presentes sejam para quem merece receber. Para o pai que está presente. Para o homem que assumiu uma criança como sua. Para o avô que virou pai outra vez. E, por que não, para aquela mãe que, por circunstâncias da vida, precisou ocupar dois lugares.

Mas que a gente também consiga olhar para tudo isso com um pouco mais de responsabilidade. Porque pai não é título de calendário. Pai é presença. Pai é cuidado. Pai é responsabilidade. Pai é escolha.

E, se algumas mães precisaram vestir o salto e o tênis ao mesmo tempo para dar conta de tudo, talvez esteja na hora de perguntarmos por que elas precisaram fazer isso sozinhas.

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