A divisão do MDB de Caçador

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Não, eu não lembro mais que dia do mês era aquele sábado de 2012, quando houve uma convenção municipal do MDB para escolha do candidato a prefeito, na eleição municipal daquele ano. Imar Rocha era o prefeito e queria ir à reeleição; Beto Comazzetto disputava com ele a indicação partidária.

Como disse lembro que era um sábado e eu, como jornalista, estava lá na sede do MDB de Caçador para cobrir a realização da convenção. Achava, que mesmo que fosse na última hora, haveria um “acerto” e não haveria disputa. Estava enganado, eu e muitos dos presentes.

Mas o fato é com a vitória de Beto sobre Imar, como se tivesse acontecido o contrário com uma vitória de Imar sobre Beto, me parece que o MDB, de lá para cá, não seria mais o mesmo. A divisão foi clara e assim ainda permanece.

Ficou muito mais claro agora nas eleições deste ano, quando o deputado Cobalchini pela primeira vez, pelo menos de forma explícita, enfrentou divisão no próprio partido em Caçador.

Beto Comazzetto, o ex-prefeito, deixou de apoiar Cobalchini na eleição e decidiu mostrar seu potencial eleitoral trabalhando para o deputado estadual Mário Marcondes; fez uma votação baixa: 663 votos.

O emedebista histórico Mario Cachinski, optou por trabalhar para a eleição do ex-prefeito de Videira, Wilmar Carelli (PSDB): fez 662 votos.

Cobalchini fez 14.488 votos, em uma luta inglória para levar o eleitor para as urnas. A falta destes dois líderes na campanha de Cobalchini fez pouca diferença, uma vez que na campanha de Mário Marcondes haviam outras lideranças atuando o mesmo ocorrendo com a campanha de Carelli, que o grupo do prefeito Saulo Sperotto (PSDB) também apoiou abertamente.

Agora, tem gente por aí, falando que a campanha de Cobalchini foi um fracasso. Se isto for verdade, o que dizer das campanhas de Carelli e Marcondes, dentre outros? Que peso tiveram na campanha destes, os emedebistas? Na minha modesta opinião Cobalchini fez uma grande campanha e sobreviveu à um vendaval que varreu a muitas lideranças que não conseguiram renovar mandato o buscar o primeiro. É preciso lembrar que apesar de todos os problemas, Valdir Cobalchini foi, novamente, o primeiro do partido, em uma eleição que deixou Romildo Titon (MDB), por exemplo, à beira do precipício e tratou de varrer vários outros.

Mas, pensando em um futuro, Cobalchini terá que se reinventar, pois se prosseguirmos nesta escalada tal qual ocorreu nas urnas no último domingo, não bastará o trabalho, grandioso e amplo, como vem fazendo para uma nova reeleição, ou mesmo para uma campanha para a Câmara dos Deputados. Será preciso algo a mais?

Sob pena até de sofrer para se reeleger ou talvez nem conseguir, como ocorreu em um passado bem próximo, com o ex-deputado Reno Caramori.

É preciso trabalhar e inovar, para que o Meio-Oeste possa continuar sonhando em ter um representante na majoritária. Ou será que estou errado?

Voltando a Caçador, pensei um dia, que Beto Comazzeto seria o substituto de Cobalchini. Parece que não, tamanho o distanciamento. Pensei em Cobalchini disputando cargos majoritários e Beto na base, como o grande herdeiro do futuro do MDB de Caçador e região.

Só para lembrar, daqui há dois anos tem eleição para prefeito e quem será o candidato do MDB de Caçador? Muita gente do MDB vai pedir Cobalchini, mas penso que o deputado está propenso a buscar voos maiores. Quem viver verá.

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